sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Crime contra a honra.... mas que honra?

   Nos últimos dias assisti, não sem uma cara de velha crente ( cara de quem está constantemente estupefato), um fato absurdo: a tentativa de censura do excelente músico Tonho Crocco.

Tonho: censurado por falar o que devia
  O senhor Tonho Crocco fez um inteligente protesto, em forma de RAP, para com os excelentíssimos deputados gaúchos que imputaram a si mesmos o absurdo aumento de 73% nos próprios salários, como já foi protestado nesse blog. Inclusive, meu candidato, Raul Carrion, traiu minha confiança e agora vai receber um novo voto meu no dia em que os porcos voarem.
   Pois então, o senhor Tonho Crocco estava sendo processado pela casa legislativa por crime contra a honra....
   Mas... como assim, honra????
  Esses homens e mulheres que pensaram coletivamente em censurar e processar Tonho Crocco por crime contra a honra esqueceram-se de um pressuposto básico: há de se ter honra para que essa seja lesada.  Assim não posso ter um carro roubado se não possuo um, os senhores deputados estaduais não podem processar Tonho Crocco por crime contra a honra por não terem nada da mesma.
  Como dizer que possuem honra, se foram eleitos para nos representar e estão nos assaltando? Nossos serviços públicos, cada vez mais sucateados, servem de explicação para esse aumento? Cidades da metade sul do estado que nem possuem abastecimento regular de água justificam isso? Que porra de honra é essa?
  Creio que a resposta para tudo seja não. Se não honram meu voto ( e os votos de outros milhões), é sinal que a tal da honra deve ter morrido tentando resgatar sua tartaruga de estimação de um incêndio na choupana em que morava.
  Me sinto com o Rei Príamo, que morreu perguntando pela honra de seus atacantes gregos, enquanto esses se maravilhavam com o ouro dos seus saques à cidade de Troia. A diferença é que não sou rei e meu Cavalo de Tróia é uma urna eletrônica.
  Assim como ele, o rei, pergunto: vocês não têm honra?

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Assim como Príamo, pergunto aos meus atacantes: vocês não têm honra?

  Um abraço sufocante e desonrado à todos!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Brasil: ordem e progresso? Nããããão! Hipocrisia senhores!

   Lendo as últimas notícias do meu querido Brasil, não pude deixar de ficar atordoado com uma delas: uma das pessoas mais inteligentes e geniais já paridas em território nacional estava correndo o risco de ser presa por uma piada. Parece piada, mas isso acontece com o Rafinha Bastos.

Rafinha: um genial brasileiro injustiçado
   Mas que país de merda é esse em que vivemos? Como a tal da liberdade de expressão já se foi ao caralho faz tempos, vou me dar o direito de transgredir o habitual tom pseudo-intelectual das minhas falas aqui nesse blog.
   O cara faz uma piada sobre estrupo e dizem que ele está fazendo apologia ao crime!!! Nada mais justo que processar um artista que vive de fazer rir e faz muito bem o que se propõe. Ao meu ver, quem propõe um processo desses, deve, no mínimo, não saber que sexo não é apenas uma palavra do rico léxico português.
  Voltando ao tom habitual, vamos pensar um pouco: por que, what hell, está ocorrendo essa inversão de valores com a sociedade brasileira? O cara faz uma piada sobre estrupo e querem prendê-lo... e o que acontece com quem nos fode todos os dias? Estão governando o país, roubando e rindo da nossa cara!

Políticos nos fodem todos os dias... e o que acontece com esses crápulas?

   Me irrita profundamente a hipocrisia que está tomando conta da sociedade brasileira. Além dos políticos que assumem mandatos mesmo cometendo crimes (como se existisse crime para ricos no Brasil), existem ainda toda uma corja de hipócritas de plantão dispostos a transformar gordos em pessoas com problemas de peso e todo cara que não tem assunto em vítima. Boa parte da imprensa, setores de outras mídias e as igrejas caça-níqueis, ops, neopentecostais se encaixam nisso.
   De uma forma muito arisca e sem que a população se dê conta, o que se está instalando novamente no Brasil é, nada mais que isso, a boa e velha censura. Com apoio das grandes mídias, que divulgam os pensamentos hipócritas, a população, que escuta Luan Santana e tem uma cicatriz no cérebro ( valeu Lobão!), aceita sem pensar no que está aceitando.
   Infelizmente, o que prevejo para nosso querido país é um futuro sem as geniais e ácidas piadas de caras como o Rafinha. Vamos todos ter que rir de piadas zorratotalísticas, ditas de bom tom e sem "maldade".... afinal de contas, eu to pagano!

Por favor, me matem antes que o que sobre do humor seja apenas isso!!!
   Como disse o próprio Rafinha, imagine o Mussum numa época lamentável dessas... iriam reabrir a pena de morte pro cara!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Comparações

????? !!!!Ahhh tá!!! Dirige então ae meo!!!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

KIT PRECONCEITO

Breve história.

Certo dia um adolescente judeu - na saída da escola – recolheu um pequeno papel no chão. Percebeu que era um panfleto publicitário e cheio de coragem e bravura exclamou:

- Viva a palestina!!!!!!!!!!!!

Fim da história.

O conto acima não faz nenhum sentido, mas é exatamente o que o MEC espera que aconteça espalhado publicidade anti-homofobia. O ministério de um país continental acha que distribuir vídeos de afeto entre pessoas de mesmo sexo pode, de alguma maneira, modificar a percepção de sexualidade de uma sociedade.

Não quero entrar no mérito de questionar o valor pago as agências publicitárias para fazerem propagandas sem sentido (!), mas procuro entender como o órgão responsável por administrar a formação de opinião do país chegou ao ponto de fazer uma m_r_a gigantesca. Como se um dia fosse possível alguém olhar uma propaganda e modificar o pensamento de uma Era.

O que me intriga é falta de respeito para com todas as outras "diferenças" que não ganharam uma propaganda própria, pois, um dia numa escola pública, matricularemos nossos filhos e ganharemos um livro de como tratarmos as mulheres, os negros, os homossexuais, os índios, os pobres, os portadores de necessidades especiais... Não há meu caro, preconceito maior que o politicamente correto, pois a preocupação com a naturalidade em tratarmos as nossas diferenças é altamente preconceituosa. Dessa forma, o preconceito é institucionalizado em nosso país, pois colocamos barreiras e limites de classificação de cada um na sociedade.

Eu, para auxiliar o MEC nas suas próximas empreitadas, imaginei um vídeo de poderíamos mostrar para as crianças nas escolas públicas:

"...o cenário seria uma escola pública, um jovem de origem alemã (cadeirante) beijando (de língua) um velho negro, amparados pelo zelador da escola (um índio cego) e, ao fundo, uma mulher executiva (muçulmana) olhando seu marido zelador..."

As crianças compreenderiam a respeitar todos os seres humanos na mesma hora!

Por hora, é inegável que as políticas públicas na educação estão equivocadas, sobretudo, pela visão de causa e efeito nas práticas de inserção de todos na sociedade. Não se ensina consciência com propagandas para grupos sociais específicos, mas com educação de qualidade e visão sistêmica da responsabilidade de cada um na sociedade. Ao invés de promovermos passeatas e dias específicos para diversos grupos diferentes, vamos promover passeatas e mobilizações em prol da humanidade, do respeito de todos e dos direitos sociais. O kit distribuído nas escolas deveria ser muito maior, pois deveria conter educação de qualidade, esperança, filosofia, sociologia e dignidade.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Idade Média revisitada: a intolerância humana

   Que o terremoto do Japão foi uma tragédia maior do que o filme do Justin Bieber não há dúvidas. Mas, em minhas experiêcias pelo mundo afora, percebo outra tragédia, manifestada na forma de comentários sobre a triste sorte nipônica:a tragédia humana.

Não bastasse tudo o que aconteceu, os japoneses ainda são alvo de comentários desnecessários
  Os comentários em diversos sites sobre a tragédia do Japão são heterogêneos. A grande maioria se solidariza com o ocorrido. Aqui quero chamar atenção para a grande minoria. Pessoas, se é que dá para chamar assim, visívelmente cristãos exaltados, jogando a culpa de tudo no próprio povo japonês. Isso mesmo, a culpa, segundo essa gente, é dos próprios japoneses. Explico.
  Esses seres, muito familiarizados com a cultura humana ( estou sendo irônico, para quem não percebeu!) dizem que tudo ocorreu porque somente cerca de 5% da população japonesa é cristã. E o queco com isso?!!!
  Dizem eles que tudo isso foi um castigo de Deus por não terem se convertido ao cristianismo. Claro, eles deveriam morrem quietinhos enquanto os padres portugueses traçavam suas mulheres, supostamente, possuídas pelo coisa ruim ignorando milênios de ancestralidade cultural. Que óbvio!!!

Placas tectônicas: não estão na Bíblia, assim como o Japão
   Esses seres carísmáticos ignoram a existência das placas tectônicas pelo simples fato de não estarem na Bíblia e que tais placas provocam terremotos muitos antes do primeiro homem sair da posição de cachorro e vão continuar aqui muito depois que a gente estiver lotando o inferno.
  Outra coisa ignorada é, nada mais nada menos, que a diversidade cultural humana. Enquanto o ocidente nem sonhava com o que era, ou viria a ser, o cristianismo, o oriente já tinha bem moldada suas culturas, a religiosa inclusive. E, pasmem, já aconteciam terremotos por lá.
  Outro ponto, talvez assustador. Queridos exaltados, também há terremotos e tragédias naturais em terras cristãs. Você pode colar a Bíblia na frente da cara que eles ainda vão ocorrer.
  Infelizmente esses seres, que de cristãos têm muito pouco ( esquecem que um dos ensinamentos que deveriam seguir tem a ver com solidadariedade...), estão levando, gradativamente, o mundo de volta à Idade Média, onde intolerância era a ordem do dia.



Idade Média: é para lá que a lavagem cerebral cristã vai acabar levendo a humanidade

  Não se pode esquecer que o cristianismo exaltado levou o mundo a primeira guerra de proporções mundiais, a primeira cruzada, e à todas as outras que se seguiram. Também foi ele que, em seu antisemitismo, aniquilou grande parte da população judia da europa, o que culminou no Holocausto da Segunda Guerra.
  Seria bom que, antes de ser religioso, se fosse humano. E, para ser humano, basta usar algo bem interessante que nos foi dado ( pode ter sido por Deus!): a racionalidade!


  Um abraço sufocante e medievo à todos!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Edições do caramba: as atrocidades globais!

    Após muitos dias de ausência e silêncio, retorno, após nascer de novo, de novo, quando participei de um destruction derby de verdade ( acidente de trânsito) no qual vi boa parte da minha vida passar diante dos meus olhos sendo narrado pela Tartaruga Touché ( só mais tarde descobri que o narrador era o Lima Duarte!).
Será que minha vida é tão insignificante para ser narrada por esse quelônio?


   Por hoje, o que venho reclamar, além da evidente saída de campo de Ronaldo Fenômeno ( mentira, não vou falar disso) é uma espécie de continuação do último post.
   Eu fico apavorado com a quantidade de "notícias" sobre o tal do Grande Irmão Brasileiro, e sobre os comentários tristes das pessoas que me rodeiam sobre isso. O Oriente Médio em convulsão, a decisão do novo salário mínimo e outras tantas coisas mais relevantes e as pessoas ficam se pergutando se o tal traveco vai posar na Playboy!!!  Queira Deus que não! Não quero nem imaginar como ficaria a masturbação das novas gerações!!!!
   O que mais me aborrece é ver que tem até pessoas que discutem para ver quem merece ser votado naquela porcaria televisiva!!! Meu Deus, pra quê!?
   Felizmente eu não assisto isso. Prefiriria afogar meus neurônios em álcool. O que tenho assitido na teve ultimamente também me deixa triste: Simpsons e 24 horas. Não pelas sérias, que são excelentes, mas pela forma como a toda poderosa Globo as exibe.

Jack Bauer: nível 5 na minha escala de deificação
  A Globo atora, dilarecera, destrói os episódios dessas séries. Um deus para mim, Jack Bauer fica parecendo uma colegial assustada na edição global. O cara queria fuder o sistema ( um Capitão Nascimento versão macro) e as chamadas globais insistiam que ele queria vingar a namorada dele??? Certamente, eles não estavam assistindo a mesma série que eu.
  Outra coisa que me revolta, são os cortes que fazem nos Simpsons quado estão assistindo Comichão e Coçadinha. Porque? Só pelo fato de mostrar sangue?

Comichão e Coçadinha: atrocidade é o que a Globo faz com os episódios dos Simpsons quando esses aparecem

   Ora, a emissora quer posar de defensora da moral e dos bons costumes e exibe BBB? E esquece do seu passado negro em que apoiou a Ditadura e apoiava ( e apoia) as classes dominantes, constribuindo para a formação de uma camada subalterna da população que culmina no Tropa de Elite 3 ( aquele exibido ao vivo, no Complexo do Alemão)!!!
   Atrocidade por atrocidade, deixem as criançar rirem um pouco de sangue de mentira! É melhor que o o sangue que escorre dos meu olhos quando olho televisão!


  Um abraço sufocante e global a todos!

sábado, 15 de janeiro de 2011

Alice acorrentada na frente do espelho: o Grande Irmão Brasileiro

   Mais um ano que começa. Contas, cidras baratas, bebedeiras sem sentido, programação de verão e, claro,nesse contexto não poderia faltar o programa da família brasileira: Big Brother Brasil.

Big Brother Brasil: irmão de quem?
     Quando o escritor George Orwell lançou seu livro "1984" não imaginava, nem em seu pior pesadelo ( talvez um sonho em que porcos falavam de Revolução), no que o personagem-metáfora do Grande Irmão iria se transformar. O pobre escritor deve ter transformado seu caixão em liquidificador, de tantas vezes que deve ter se revirado no túmulo.
    Um dos maiores clássicos universais da literatura inspirou um dos maiores fiascos televisivos da história. Fiasco somente em termos de conteúdo (sic!), pois sabe-se que, ao menos no Brasil, o programa é uma experiência extremamente rentável.

O clássico de Orwell inspirou este zoológico que nos é mostrado na tevê
      E, por que diabos, uma produção de péssima qualidade, visivelmente forjada e ridícula, é um sucesso? Explico. Além de, assim como as músicas-chiclete, ocuparem o vácuo interno existente entre as duas orelhas da maioria dos brasileiros ( conhecidos como cérebro, em humanos), o programa oferece algo que apetece ao grande público: a desgraça, a bizarrice e a vergonha alheia. O programa acaba por fomentar o que temos de pior, que é a capacidade de rir da desgraça daqueles homenzinhos presos na caixa.
     Mas não ria demais: se você desligar a tevê, ela vira um espelho. Olha bem, quem é que tá preso aonde? Quase todos temos esse espelho para ver o mundo doente, como dizia o Russo... mas trocamos nossa riqueza, que é nosso tempo, por essa quiquilharia sim valor.

Não somos índios cantados por Russo: pagamos pelos espelhos mágicos que nos fazem esquecer do mundo doente. É o nosso teatro dos vampiros encantador!
    Além dos aspectos supracitados, a própria produção do programa dá uma forcinha para que essa encenação fajuta ultrapasse os limites do estúdio onde é gravada. Traçar scripts para os "participantes" e manipular o número de ligações e/ou votos numa apuração de eliminação são algumas dessas táticas. E por que motivos se faz isso? Para tentar envergonhar o cara que, como eu, não assiste essa merda, fazendo com que, por exemplo, todos os colegas de trabalho falem sobre quem vai ser eliminado no "paredão" enquanto, concomitantemente, chegam à conclusão de que sou um chato porque não assisto essa porcaria.


Fabrício: Uma das poucas pessoas que conheço que não mentem que gostam do Big Brother para puxar o saco de alguém ou fazer de conta que tem assunto
   Um das coisas que também me indigna nesse programa é ver o Bial, alguém que por quem tinha certa consideração até o ano 2000, apresentando o circo e chamando aquelas ricas criaturas de nossos heróis. Puxa vida, se ele ainda usasse de ironia para dizer isso, mas, convenhamos, ele tá fazendo o serviço dele. Ter que mentir um monte na hora que os caras são eliminados, dizendo o quanto eles são gente-boa e melhores do que quem tá, infelizmente, assistindo, não é fácil. Ele, o Bial, é um excelente ator .
   Agora, concentremo-nos na atitude heróica dos brothers:




  É isso ai tudo o que está acima que eles tem de heróicos. Absolutamente nada. Fazem o mesmo que você faz, e, você, também é monitorado por câmeras o tempo todo. Então você também é herói? Pode ser que você seja o Super Zé, mas só vai ganhar muita grana se acertar na Mega.
  Herói é quem consegue dedicar algumas horas preciosas do seu dia para ver essa ladainha de faz-de-conta ao invés de dar atenção ao filho, que encontra a devida atenção no seu novo amigo que conseguiu umas paradas naturais para revenda! Até o seu cachorro mereceria mais atenção do que a televisão!
  É, esses homens na caixa escolheram entre o bem e o mal, ser ou não ser... sem nunca ter lido Shakespeare, não terem idéia do que seja Maniqueu, pensarem que dualismo é uma classificação sexual e, o pior, nem escutarem Alice in Chains.



De uma maneira absurda e sem nenhuma concatenação, o BBB tenta reunir coisas tão díspares como as colocadas acima


   Vida real, a música da RPM que é tema de abertura do programa, também diz muito sobre o que abre: se eu pudesse escolher, entre a imitação tosca da vida tosca de gente tosca e a minha realidade tosca, escolheria trabalhar até depois do horário para tentar conter a vontade de destruir meu aparelho televisivo.
  Quem é irmão de quem? O ser muito além do cidadão Keane?

  Um abraço sufocante e fraterno a todos!